
Versalhes, França, setembro de 1713,
Abro os olhos, não sei onde estou, parece ser uma carruagem em movimento. A primeira coisa que me vem a cabeça é o que faço aqui? Estava a caminho do Palácio, tinha uma audiência com o rei Luís XIV de Bourbon.
-Vejo que acordou!
Disse uma voz doce de mulher do outro lado da carruagem. Mal podia ver seu rosto com a luz fraca da lamparina.
Disse uma voz doce de mulher do outro lado da carruagem. Mal podia ver seu rosto com a luz fraca da lamparina.
-Quem é você e o que faço aqui? – Digo tentando me por sentado.
-Deixe-me clarear um pouco as coisas. –Ela disse ao mesmo tempo em que aumentava a chama da lamparina
A luz revelou um rosto angelical, uma bela jovem de olhos verdes tão claros como as águas de um límpido riacho. Ela se aproxima, sua presença me deixa com medo e ao mesmo tempo atraído, ela coloca o rosto perto do meu.
-Meu nome é Arissa, você é meu convidado.
-Convidado? –Pergunto sem entender nada do que acontece.
Ela sorri, a carruagem para e a porta é aberta.
-Venha meu querido, chegamos. –Suas palavras são firmes e ao mesmo tempo doce, eu apenas a sigo como se não tivesse mais vontade própria, estou tão encantado por essa dama que nem ao menos penso no perigo que posso estar correndo, com certeza ela sabe da carta que devo entregar ao rei e mesmo assim parece que nada me importa mais. Ela caminha em direção a grande porta da entrada da casa, seu andar é divino e as curvas de seu corpo parecem que foram desenhadas por Deus. O vestido de seda preto não é uma roupa adequada para o frio que faz, meia hora aqui fora seria o suficiente para congelar, más ela parece não se incomodar com o tempo.
-Venha, não tenha medo – Diz me fitando nos olhos e estendendo sua mão.
É uma sensação estranha, uma ansiedade como se eu estivesse esperando isso à vida toda, não imagino o que me reserva más não posso evitar, seguro sua mão como se fosse uma criança perdida, sua pele macia e quente só me mostram a juventude que brota dessa mulher, uma excitação toma conta de mim enquanto entramos na casa. Seu servo fecha a porta e permanece ao lado de fora.
O fogo quase extinguido da lareira deixa o clima com um romantismo incomum para um soldado como eu. Ela pega uma garrafa em cima da mesa redonda.
-Gosta de vinho? –Disse já me servindo a única taça.
-Não irá me acompanhar? Pergunto antes de degustar a bebida imaginando que ali jaz um veneno mortal.
Ela sorri novamente e assim deixo a taça cair estilhaçando no chão ao ver suas longas presas expostas.
-Por Deus que demônio és? –Ela continua rindo...
-Meu querido Amon, há muito tempo espero por esse momento...
Não tenho ação, acredito que seja meu fim, tudo faz sentido agora. Me lembro de ter parado em uma taberna para beber e uma prostitua me ofereceu seus serviços, depois disso acordei na carruagem. Não consigo atacá-la ou fugir, talvez eu não queira talvez eu deseje isso. Ela toca minha face com delicadeza, seu rosto agora tão pálido como a lua cheia lá fora, suas mãos frias como gelo já não são de uma mulher comum.
-Lhe darei um presente que jamais sonhara...
Ela beija meu pescoço, um prazer absurdo toma conta do meu corpo como se fosse o prazer do sexo, tão imenso que meu coração parece que irá explodir. Começo a me sentir sonolento, minha visão começa escurecer, meu corpo fica pesado. Já estou deitado no chão, mal consigo me mexer ou enxergar o belo rosto de Arissa, suas palavras parecem distantes más o suficiente para ouvi-la.
-Agora terá seu presente. – Ela morde seu lábio e instantaneamente o sangue começa a pingar em minha boca, ela me beija com paixão, seu sangue é tão doce como o melhor vinho da melhor safra que já pudera provar, não consigo parar de sugar o elixir que brota de seu lábio. De repente eu paro ela se afasta e uma dor abissal toma conta de todo meu corpo, como se estivesse sendo rasgado de dentro para fora. O sangue dela queima como fogo dentro de meu peito, minha respiração ofegante é o único som que ouço enquanto me contorço no chão. Por fim meu corpo para, tudo fica escuro, sem som. Só consigo pensar que estou morto. Então a doce voz de Arissa quebra o silêncio provando que estou vivo.
-Abra os olhos Amon, veja o mundo como eu vejo, pois este é seu presente e você é o meu.
Então novamente abro os olhos...


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